Objetivos Projeto CRUSTAPANHA

Objetivo 1. Caracterização da pesca de caranguejo

A informação sobre os mariscadores que se dedicam a apanha de caranguejos é escassa ou inexistente. O caranguejo pode ser apanhado para consumo direto (ex: Uca tangeri, ou cavalete) ou para utilização indireta como é o caso da sua utilização para isco vivo para a pesca (robalo, polvo, outras espécies de peixes). A atividade da apanha e pesca de caranguejos não está descrita, mas é realizada em diferentes sistemas lagunares costeiros e sistemas estuarinos. Neste projeto iremos aprofundar o conhecimento relativo à apanha e pesca de caranguejos em sistemas estuarinos ou lagunares que constituirá uma memória descritiva desta atividade da qual pouco se conhece. Como é feita a apanha e qual a sua finalidade? Circuitos de comercialização e venda; origem dos caranguejos e destino? O estado da arte será feito pela primeira vez.

Apanha à mão de cavalete (Afruca tangeri) e pesca de Caranguejo Verde (Carcinus maenas)
(colaboradores do projeto CRUSTAPANHA devidamente licenciados pela ICNF e DGRM)

2) estudo da dinâmica populacional (avaliação dos recursos)

Uma das tarefas dentro deste objetivo é avaliar a dinâmica populacional (avaliação dos recursos) de caranguejos com interesse comercial

Caranguejo da espécie Carcinus maenas

Não existe informação, sobre a atividade da apanha ou pesca em si, nomeadamente: número de marés diárias, dias de pesca, tempo de apanha, tempo por maré, áreas de pesca e tipo de artes utilizadas ao longo do ano. A avaliação dos mananciais de caranguejos será feita de duas formas distintas: i) saídas em campo em diferentes locais pré-determinados com a ajuda dos pescadores (por exemplo faremos contagens com drone para a espécie Afruca tangeri) e ii) dados da pesca experimental/cientifica (rendimentos da pesca), através das parcerias estabelecidas com pescadores/colaboradores, Associações de produtores ou Associações de Pescadores (e.x. para o Carcinus maenas). Ambas as aproximações anteriores para avaliação dos recursos são complementares e necessárias para tentar avaliar o estado dos recursos pesqueiros. Pretende~se conhecer as áreas de pesca de caranguejo e na medida do possível a sua distribuição nos diferentes locais de estudo e a sua demografia.

O caranguejo é utilizado para a pesca do polvo, assim iremos fazer uma estimativa do total de caranguejo utilizado para a pesca. Por último, será feito para o caso da frota do polvo do Algarve um estudo para verificar a eficiência da pesca com isco morto e isco vivo (caranguejo).

Caranguejo da espécie Carcinus maenas (caranguejo verde) à venda no mercado destinado ao consumo direto.

3) Estudar a biologia reprodutiva do caranguejo

Os estudos da biologia das espécies visam estimar parâmetros e taxas de crescimento, determinar épocas e picos de desova e estimar idades/comprimento da carapaça de 1ª maturação. Esta informação torna-se indispensável, pois permite estabelecer tamanhos mínimos de captura, estipular épocas de defeso e adequar a apanha à biologia e ciclo de vida das espécies.

Para além dos indicadores anteriores é necessário conhecer a demografia das populações. A estrutura etária/comprimentos (distribuição de comprimentos por tamanho/idades) das populações permite saber com maior detalhe a percentagem de juvenis (recrutas) e adultos (biomassa desovante) existentes e será estudada neste projeto. A determinação do sexo ratio (proporção de fêmeas e machos) será igualmente estudada, uma vez que poderá ter nalgumas espécies um papel preponderante para a reprodução da espécie (caso do cavalete em que as pinças do macho são retiradas e assim a remoção deste apêndice afetar a reprodução da espécie – problemas por ausência de dimorfismo sexual).

Fêmea de caranguejo (Carcinus maenas) com o aparelho reprodutor (ovas de cor laranja) maturo (figura à esquerda)
Macho de caranguejo (Carcinus maenas) com o aparelho reprodutor maturo (figura à direita)
Medições em laboratório

4) Estudar a ecologia das espécies de interesse comercial

No entendimento das AP/OP persiste a dúvida se os caranguejos comem outras espécies de invertebrados, por exemplo bivalves com interesse comercial como a ameijoa-boa ou berbigão. De fato, argumentam que se existir muito caranguejo e não for apanhado isto não será positivo por exemplo para os mariscadores uma vez que como amêijoa, berbigão etc. Mas por outro lado argumentam que os caranguejos têm efeitos positivos porque o caranguejo é detritívoro e ajuda a remover os “mortos/limpar fundos”, aumentando a qualidade das zonas de apanha. Neste sentido levantam-se várias questões que o CRUSTAPANHA pretende ajudar a solucionar relacionados com a ecologia alimentar e tipo de habitats onde as espécies de caranguejos residem.

Carcinus maenas na zona intertidal
Afruca tangeri em zona de sapal

5) Caraterização socioeconómica

Serão efetuadas deslocações a diversos portos/locais de pesca para a realização de inquéritos ou entrevistas de modo a recolher informação sobre esta atividades, sobre o número de pescadores envolvidos, importância para as famílias desta atividade etc. Este estudo/tarefa será feito em parceria (cooperação científica) com Investigador especialista (socioeconómica das pescas) do CESAM – Universidade de Aveiro

Formação aos pescadores da pesca do polvo para as experiências com caranguejo

6) Outros objetivos

Será desenvolvido uma base de dados acoplada a um Sistema de Informação Geográfica – SIG para visualização dos dados recolhidos em campo. Tal permitirá que os dados recolhidos em campo pela equipa científica, pelos inquéritos e diários de pesca/apanha por todos os intervenientes estejam rapidamente disponíveis para visualização (a desenvolver por NOVA IMS – Information Management School)

7) Proposta de regulamentação

Esta será a fase mais terminal do projeto: Avaliar o impacto de algumas medidas técnicas de gestão nas comunidades de pescadores que se dedicam à pesca do caranguejo. Nesta fase, pressupõem-se que a base para a discussão esteja compilada, ou seja que os objetivos do projeto em termos científicos sejam atingidos para poderem ser facultados elementos para o debate. Este debate deve contar com as AP/OP com elementos da comunidade científica que desenvolveram este projeto, com elementos do IPMA-IPIMAR e da DGRM (que facultam licenças de pesca mediante parecer científico).